Documentário – Memória Viva (1987)

“(…) o pioneirismo de Aloísio Magalhães, de homem de artes a personalidade pública. Um pintor que se transformou em artista gráfico e designer. Um programador visual, criador das notas de cruzeiro e de símbolos e logotipos de mais de 90 empresas nacionais e estrangeiras, que acabou como fundador do Centro Nacional de Referência Cultural.” (FestRio/4)

“Bezerra conseguiu ultrapassar uma simples biografia, e usando apenas palavras de Aloísio, pintar um painel corajoso, atual e dolorido das contradições culturais do Brasil. Da primeira à última sequência, “Memória Viva” aborda as questões de nossa identidade cultural, as contradições de um País que paralelamente à absorção de sofisticadíssima tecnologia tem ainda problemas que fazem parecer um País do século XVII – na fome, miséria e doenças em tantas partes do País.”

(Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 5 de dezembro de 1987)

Sinopse

Documentário sobre Aloísio Magalhães que fala sobre as referências da cultura, sobretudo a brasileira, sua importância, sua divisão, os elementos que a constituem, suas representações e principalmente, sua continuidade. Prêmio de melhor filme, melhor fotografia (Miguel Rio Branco), no Festival de Brasília em 1988.

Produção: Octávio Bezerra Produções Cinematográficas

Octavio Bezerra em seu “Memória Viva” faz uma radiografia do Brasil em problemas culturais que seria desejáveis tornasse esta obra obsoleta dentro de algum tempo. Infelizmente, assim como a visão social de Hirzman, há 23 anos em seu “Maioria Absoluta” – no qual partindo dos analfabetos (razão do título de seu documentário) apenas agravou-se nestas duas décadas, teme-se que as questões discutidas por Bezerra em “Memória Viva” permaneçam por muito tempo. Partindo de um projeto de curta-metragem, biográfico sobre a figura notável do designer, pintor, advogado e batalhador cultural Aloísio Magalhães (Recife, 5/11/1927 – Pádua, Itália – 13/6/l982), Octavio Bezerra acabou desenvolvendo um longa-metragem que traz tanta emoção e brasilidade quanto conseguiu, há 9 anos passados, Tânia Quaresma em seu “Nordeste: Cordel, Repente, Canção”. Filho de família pernambucana, carioca (25 de dezembro de 1946), Octavio Bezerra estudou (e trabalhou em Economia e Arquitetura, foi ator (em 1967) em “O Justiceiro”, de Nelson Pereira dos Santos, mas a partir do final dos anos 70 se decidiu pelo cinema, como documentarista, realizando “A Lenda de Quintipuru” (1978), “América” (1979), “Beco Sem Número” (84) “A Resistência da Lua” (1985, sobre a destruição de um bairro em Salvador). Iniciou um longa-metragem, em 1982, “Os Anos 80” e, no ano passado concluiu o documentário “Lampeão, Capitão Marajás”. Admite que pouquíssimas pessoas viram estes filmes – todos voltado a uma ótica de defesa de valores culturais. Assim, admirando a luta desenvolvida por Aloísio Magalhães, como secretário de assuntos culturais do Ministério da Educação e Cultura, idealizador e fundador do Pró-Memória, Octavio animou-se, ao ganhar cinco latas de filmes virgens, num concurso promovido pela Embrafilmes [Embrafilme], a se lançar num projeto afetuoso. Sem ter conhecido Aloísio (que morreu na Itália, quaudo participava em Veneza de um encontro cultural), Octavio encontrou sua viúva, a pintora Solange Magalhães, 47 anos, a grande colaboradora para o projeto. Foram dois anos de dificuldades, buscando recursos para as filmagens e reconstituindo um roteiro das preocupações de Aloísio. Designer que criou mais de 90 marcas para grandes empresas – estatais e privadas, além de ter redesenhado as cédulas para a Casa da Moeda, Aloísio sempre foi, antes de tudo, um orador. Só há três anos alguns de seus discursos e conferências foram reunidos no volume “E Triunfo?” (Editora Nova Fronteira), do qual Octavio extraiu o texto para o seu filme – acrescentando-lhe mais uma longa entrevista feita por Zuenir Ventura, hoje editor do caderno “B” do “Jornal do Brasil”, na época (1981), na revista “Isto É”. O admirável em “Memória Viva” é que Bezerra conseguiu ultrapassar a simples biografia e, usando apenas palavras de Aloísio, pintar um painel corajoso, atual e dolorido das contradições culturais do Brasil. Da primeira à última seqüência, “Memória Viva” aborda as questões de nossa identidade cultural, as contradições de um País que paralelamente à absorção de sofisticadíssima tecnologia tem ainda problemas que fazem parecer um País do século XVII – na fome, miséria e doenças em tantas partes do País.
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